segunda-feira, 9 de novembro de 2009

Saudades do México

Hoje amanheci com saudades do México. Então procurei um vídeo da Lila Downs. A música - La Llorona - é linda. Não consegui inserir o vídeo aqui, mas o link é este:
http://www.youtube.com/watch?v=iq3dJgUyM_c

Quem quiser ver uma coisa bem-humorada do México lá, pode procurar vídeos no Youtube da Regina Orozco.

quinta-feira, 5 de novembro de 2009

Quem fala sobre qualquer coisa...

A cada dia que passa tenho mais preguiça de ouvir ou ler o que determinadas pessoas tidas como formadoras de opinião falam ou escrevem. A última foi a do Caetano Veloso que declarou que o Lula é analfabeto, não sabe falar, é cafona falando e grosseiro. Tudo isso pra dizer que a Marina Silva não é nada disso, por isso, ele, Caetano, vai votar nela. Se existe uma coisa que eu admiro no Chico Buarque e imagino que ele seja admirado por muitas pessoas pelo mesmo motivo: ele não se presta a falar sobre qualquer coisa em jornais, revistas e televisão só pra aparecer. Coisa que o dito Caetano faz direto. Da minha parte, faço um esforço enrome pra separar o compositor Caetano do grilo falante Caetano, mas confesso que tá cada dia mais difícil. Por enquanto, ele continua de castigo e os CDs dele estão lá no fundo da gaveta.


A íntegra da entrevista está no Estadão de hoje.

quarta-feira, 4 de novembro de 2009

Pra inglês ver

Ando me divertindo à beça (será que essa expressão é muito antiga?) nas aulas de inglês. É isso mesmo, voltei ao inglês. Mais uma tentativa. Dizem até que já sou PhD em básico de inglês!!! Bem, mas uma das alunas garante a diversão. Alguns meses depois de entrar numa empresa renomada, ela já tem uma lista tão grande de reclamações que é a coisa mais incrível. Em alto-e-bom-som, reclama das irregularidades, da falta de integridade, das práticas viciadas etc. etc. etc. Agora, entre uma entrevista e outra, resolveu escrever um livro em inglês sobre tudo isso. E não é um livro pra inglês ver, não. É real. Com todas as lamúrias, maracutaias e eticéteras a que ela tem direito. É isso. Quem sabe um dia também não resolvo colocar idéias num livrinho. Mas em português mesmo. Quanto ao inglês, acho melhor ir morar fora um tempo pra ver se levo jeito pra coisa.

quarta-feira, 28 de outubro de 2009

Naná jogou um feitiço em mim

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Domingão, final de tarde, fui ver Luis Melodia e Naná Vasconcelos juntos no SESC Vila Mariana. Sou fã dos dois, mas só tinha visto de perto o rapaz do Estácio. Quase duas horas depois, saí meio que flutuando daquele lugar. Que show! Naná Vasconcelos. O que é aquilo? Uma criança? um duende? um encantador de pessoas? Fui encantada por ele. Um sorriso de criança no rosto, o prazer a cada nota tirada de seus apetrechos de percussão, a sinceridade e amor com que olhava para o Luis Melodia, coisa de irmão de fé. E eu sei o que é isso, porque tem muita gente com quem a gente se identifica tanto que é como se fôssemos irmãos. E ali, naquelas quase duas horas, parecia que um monte de gente encantada se reuniu pra esquecer que o mundo girava lá fora. É bom demais quando a gente tem essa sensação, não é mesmo?

sexta-feira, 23 de outubro de 2009

A 28ª esposa do Thiago de Mello

É isso mesmo. Deu na coluna do Ancelmo Gois, no Globo do dia 22/10: "Thiago de Mello, 83 anos, o grande poeta brasileiro, autor de clássicos como O estatuto do homem e Canto do amor armado, casou-se pela vigésima-oitava vez. A mulher, Poliana, tem pouco mais de 30."

Ora, o fato de a noiva ter pouco mais de 30, é irrelevante. O que salta aos olhos mesmo são as 28 vezes que nosso poeta se aventurou pelos meandros do casamento. Afinal, tem gente que foge de casamento como o diabo foge da cruz. Mas parece que esse não é o caso dele. O que será que ele vê de tão bom nessa instituição tão antiga? Dá pra ver que as coisas não saíram muito bem, afinal, 28 vezes são 28 vezes!


segunda-feira, 19 de outubro de 2009

Boas e curiosas exposições em São Paulo

Propagandas de Cigarro - Como a Indústria do Fumo Enganou as Pessoas – 90 propagandas veiculadas em jornais e revistas americanas entre as décadas de 1920 e 1950 mostram que até bebês eram utilizados para vender cigarros. Associado ao glamour, fumar teve como propagandistas ídolos do cinema como John Wayne, Marlon Brando, Humphrey Bogart entre outros. Na exposição quem fuma e quem não fuma pode ver como a indústria vendia seu produto. Tudo começou como um hobby de um médico, que aos poucos se deu conta de que ali não havia nada de inocente. Pelo contrário. Onde e quando: na livraria Cultura do Conjunto Nacional (Av. Paulista, 2.073. Tel.: 3170-4033). De seg. a sáb., 9h/22h; dom. e feriados, 9h/18h. ). Grátis. Até 26/10.


A Humanidade em Guerra – a mostra é comemorativa aos 150 anos da Cruz Vermelha e aos 60 anos da revisão das Convenções de Genebra (normas de proteção a civis e prisioneiros de guerra) e apresenta os trabalhos de fotógrafos que estiveram presentes nas guerras e conflitos que abalaram o mundo nos últimos 150 anos. As imagens são fortes e mostram mulheres, crianças, homens diante da brutalidade da guerra. Mas mostra também a força do ser humano nos campos de batalha. Na matéria do Estadão de domingo, o fotógrafo Ron Haviv, um dos profissionais que integram a exposição disse que a mostra serve para
mostrar que "a vida das vítimas que aparecem no noticiário continua depois que elas saem das manchetes". Onde e quando: Matilha Cultural (Rua Rêgo Freitas 542 - Centro). Até 15/11. De terça-feira a sábado das 12hs às 20hs. Entrada Franca. (foto: H.D.Finck)


A Invenção de um Mundo Artes Visuais – a mostra de fotografias apresenta 127 obras de 30 artistas do acervo da Maison Européenne de la Photographie, que extrapola a simples documentação fotográfica, mesclando processos alternativos de impressão e novas tecnologias. Dividido em partes, a exposição explora A Invenção da Memória, O Eu Reinventado, Invenção de um Sonho, A Invenção da Forma, Invenção das Certezas, entre outras. Poemas, vídeos e música são alguns dos recursos utilizados na exposição. Onde e quando: Itau Cultural (Av. Paulista, 149). Até 13/12. De terça a sexta, das 10h às 21h e sábs., doms. e feriados, das 10h às 19h. Entrada franca. (Foto: La neige qui brule, Bernard Faucon)

quarta-feira, 14 de outubro de 2009

Dia do doce de leite???


Pois é, ontem, dia 13 de outubro, os argentinos comemoraram o dia do doce de leite. No país vizinho, além do doce, fazem parte do patrimônio gastronômico o mate, as empanadas e o assado.

Já no Brasil, entre os nossos patrimônios imateriais estão os ofícios das paneleiras de Goiabeiras (panelas pretas do Espírito Santo) e o das baianas do acarajé, além do bolo Souza Leão e do bolo de Rolo (de Pernambuco), o modo artesanal de fazer o queijo de Minas (regiões do Serro e da Serra da Canastra e da Serra do Salitre, em Minas), entre outros.

Outros patrimônios culturais nacionais são o Círio de Nossa Senhora de Nazaré (PA), o Samba de Roda (Recôncavo Baiano), a Feira de Caruaru (PE), o Frevo e o Maracatu (PE), o Tambor de Crioula (MA), as matrizes do samba: Partido Alto, Samba de Terreiro e Samba-Enredo (RJ), entre outros.

A nota sobre o dia do doce de leite que li no jornal argentino La Gaceta, diz que a origem do doce é desconhecida e que cada um dos países que tem a iguaria em sua tradição gastronômica conta uma história diferente sobre a origem do doce.

Sobre o assunto, vale a pena ler o artigo Os doces de leite na América Latina, da antrópoga e pesquisadora Esther Katz, publicado no site do Slow Food, no qual ela registra que o doce de elite não é exclusividade dos países da América do Sul e que ele recebe diferentes nomes como dulce de leche, manjar blanco, cajeta, arequipe mumu, e outros.

E só pra registrar, o doce de leite mais gostoso que comi nos últimos tempos foi o do Mocotó, o restaurante de comida nordestina que fica na Vila Medeiros. D-E-L-I-C-I-O-S-O. De lamber os dedos! A foto é dos tachinhos de doces de lá.

sábado, 10 de outubro de 2009

O cheiro da comida de casa

Alguém comentou comigo sobre um artigo de alguém, publicado em algum lugar (parece que a memória anda fraca?), que falava sobre o cheiro da comida de casa. Coincidiu que eu estava lendo o livro A morte do Gourmet, que conta a estória de um crítico gastronômico que descobre ter pouco tempo de vida e começa a tentar descobrir qual foi a comida que mais o marcou.

Bem, tudo isso pra dizer que na casa da minha família, quando se fazia a comida de “festa” como sushi, sashimi e outras comidas frias, poucos cheiros ficavam pelo ar. Exceções para o gengibre ralado e o caldo de shoyu no qual se cozinhava umas tiras de nabo hidratado que se usava pra rechear o maki-zushi (aqui popularizado como “pneu” porque o arroz vem enrolado na alga).

Mas alguns cheiros e gostos da infância e da adolescência a gente nunca esquece mesmo. O arroz era cozido na panela especial, elétrica, e quando a gente abria a tampa, subia aquela nuvem de vapor, super cheiroso. Arroz branco, grudadinho (o famoso Unidos venceremos!), servido nas tigelinhas pra servir de base para o okazu (mistura).

Inesquecível mesmo era o carê (creme de curry) que minha mãe fazia e que por muitos anos depois de todos termos partido pra tocar nossas vidas, continuávamos pedindo pra ela fazer. Numa panela ela cozinhava carne moída, cenoura e batata em cubinhos e depois engrossava com uma mistura de curry e farinha de trigo tostados. Lembro que era bem apimentado. Pegávamos com uma concha e cobríamos o arroz bem quente. Era uma comida dos deuses. Me deu até água na boca, só de lembrar!

O pior mesmo é que na vida adulta a gente fica perseguindo esses gostos e cheiros e dificilmente encontra. Vejo amigas que tentam agradar seus companheiros fazendo um prato mais que comentado e no fim ouvem o famoso “não é igual ao da minha mãe, mas tá bom” Não soa como prêmio de consolação?

quinta-feira, 1 de outubro de 2009

Segunda sem carne - Ibirapuera/São Paulo



O movimento "Segunda sem carne" já existe em diversas partes do mundo, mas ficou famoso quando Paul MacCartney aderiu à campanha (se bem que ele mesmo é vegetariano). Em São Paulo a campanha Dia sem carne - descubra novos sabores será lançada durante o próximo final de semana (3 e 4 de outubro), na Marquise do Parque do Ibirapuera. Um convite a redescobrir sabores, ampliar o repertório de alimentos no cardápio das pessoas, deixar a carne de lado por um dia e testar novas receitas.

O Convivium Slow Food São Paulo vai participar realizando 6 Oficinas do Gosto, às 12h, 14h e 16h (nos dois dias), na tenda do Gosto. Veja a programação completa no site Dia sem carne - descubra novos sabores.

Quem promove: Sociedade Vegetariana Brasileira e Secretaria do Verde e do Meio Ambiente, com apoio do Greenpeace, do Instituto Pólis, do Slow Food São Paulo, Revista dos Vegetarianos, Agência de Notícias de Direitos Animais, Instituto Nina Rosa, Prefeitura de São Lourenço da Serra, entre outros.

terça-feira, 29 de setembro de 2009

A cozinha a nu

Está chegando mais um Mesa SP, que é aquela babel que todos os interessados em gastronomia querem ver de perto, mas nem todos podem, afinal os preços são mais que salgados, amargos e azedos. Nesses eventos, além da troca de experiências com especialistas de diversas partes do mundo, muitos vezes vemos o enaltecimento às alturas de chefs, o que pode descambar para uma briga de egos, que nem sempre corresponde ao real valor daqueles que se digladiam no ringue.

Andei pensando sobre a “briga” entre Ferran Adriá e Santi Santamaria, dois chefs catalães, que à primeira vista são totalmente opostos no modo de pensar a culinária e a gastronomia. Mas será que são tão diferentes assim? Não estariam todos a serviço do prazer de comer? Parece que ali a coisa tá feia. Santamaria lançou o livro “A Cozinha a Nu – Uma visão renovadora do mundo da gastronomia”, que já vendeu mais de 30 mil exemplares no original espanhol (e já está nas livrarias brasileiras, traduzido pela Editora Senac), no qual defende suas idéias de respeito aos preceitos originais da cozinha, ou seja, alimentos com cara e sabor de alimentos, vindos da terra, do mar ou do ar.

Mas o mundo de Adriá também tem muitos defensores. A revista TIME elegeu a ciência gastronômica, ou a gastronomia molecular, como uma das 10 maiores idéias que mudarão o mundo. O artigo está traduzido no blog Gastronómicas, da Joyce Galvão, cozinheira e engenheira de alimentos que participou do debate Blogueiros da alimentação, na série Estantes & Panelas da Livraria Cultura. Leiam o artigo no blog dela.

No artigo, defende-se a idéia de que é inútil e errado resistir contra a ciência alimentar como fazem movimentos que defendem a valorização dos produtos orgânicos, como faz o Slow Food. Bem, eu não concordo com isso. Acho que existe sim uma racionalização muito grande do mundo da culinária. E sou uma incansável defensora da melhoria da qualidade de vida em todos os sentidos, e a alimentação é só uma parte disso. E se é possível viver sem aditivos químicos na alimentação, eu vou por este caminho.

sábado, 26 de setembro de 2009

Livros que li e gostei

Um dia desses uma amiga me perguntou se tinha algum livro pra emprestar. Então, fiz um pequeno resumo daquilo que eu tinha mais à mão, pra ela escolher. Separei em duas colunas: aqueles que li e gostei; e aqueles que ainda vou ler. Vou listar aqui alguns que li e gostei.

Calor, do Bill Buford (Ed. Companhia das Letras) - história do próprio Buford, um jornalista que era editor da revista New Yorker e largou tudo pra "ralar" nas cozinhas dos restaurantes de Nova York. É interessante e divertido. Pra quem tem ilusão de que ser chef é puro glamour.

Julie & Julia, de Julie Powell (Ed. Conrard) - uma jovem americana joga tudo pro alto e se dedica a revisitar as 524 receitas de um manual de culinária francesa de autoria de Julia Child e postar suas experiências num blog. É divertido. Acabou de virar filme, com Meryl Streep como Julia Child; Amy Adams como Julie Powell.

Vida e Arte - Memórias de Lélia Abramo (Ed. Fundação Perseu Abramo, esgotado) - escrito pela própria Lélia, conta a comovente história da família, os anos da guerra passados na Itália, as dificuldades profissionais etc.

Dois irmãos, do Milton Hatoum (Ed. Companhia das Letras) - conta as vidas diferentes e paralelas de irmãos gêmeos filhos de imigrantes libaneses que nasceram na Amazônia. É bem bonito. Mostra um lado da Amazônia que a gente não conhece, o dia-a-dia.


A paixão e a exceção, da Beatriz Sarlo (Ed. Companhia das Letras) - é uma autora argentina que fala sobre os extremos a que chegam as pessoas quando a paixão fala mais alto (o sequestro do cadáver da Evita), os personagens do Jorge Luis Borges, os Montoneros etc.

Caparaó - a primeira guerrilha contra a ditadura, de José Caldas Costa (Ed. Boitempo) - é um livro superinteressante sobre a guerrilha formada por dissidentes da Aeronáutica, do Exército e da Marinha (1966-1967). Ganhou diversos prêmios e baseou o filme Caparaó.


O nome da morte, de Klester Cavalcanti (Ed. Planeta) - é uma história fantástica sobre um matador de aluguel que apagou quase 500 pessoas em 35 anos. Ele conta detalhes, motivações etc. Ganhou diversos prêmios de jornalismo literário.

quarta-feira, 23 de setembro de 2009

Para conhecer a filosofia do Slow Food


Acaba de sair pela Editora Senac SP o livro Slow Food: Princípios da nova gastronomia, que é a tradução do livro Buono, pulito e giusto: principi di nuova gastronomia, do Carlo Petrini
criador do movimento Slow Food. A tradução é de Renata Lucia Bottini. Vou ler, depois comento.

O Convivium São Paulo do Slow Food está à toda, elaborando, adaptando e colocando em prática as Oficinas do Gosto, que têm como missão principal, estimular crianças e adolescentes a conhecerem ingredientes comuns por meio dos sentidos. As oficinas já realizadas já mostraram que muitos dos participantes não conhecem nossos temperos mais comuns como a salsa, a hortelã e outros. Da mesma forma, pela textura, não reconhecem frutas como o abacate.

A idéia é realizar as oficinas em eventos públicos e, principalmente, em escolas públicas do estado.

O Convivium também apoia iniciativas como a campanha “Segunda sem Carne” que já existe nos Estados Unidos, na Inglaterra e em outros países da Europa e que será lançada em São Paulo no dia 3 de outubro, no Parque do Ibirapuera, pela Sociedade Vegetariana Brasileira. O Slow Food vai participar realizando seis oficinas do gosto - três no sábado, dia 3 e três no domingo, dia 4.

segunda-feira, 21 de setembro de 2009

Ripper, Ed Viggiani e Cartier-Bresson juntos em São Paulo?

É demais para os amantes da fotografia. A cidade recebe três exposições de peso ao mesmo tempo. Digo isso porque o mestre francês influenciou muitos dos nossos fotógrafos e educou o olhar de apreciadores da fotografia, como eu.

Num mesmo espaço, o da Caixa Econômica da Praça da Sé, pode-se ver o trabalho do Ed Viggiani (foto acima) e do João Roberto Ripper (foto abaixo).

Dois dos melhores fotojornalistas do país. Quem ainda não viu, pode aproveitar esta semana pra ver as duas, porque a exposição do Ripper termina no domingo, dia 27.


E a do Cartier-Bresson fica até 20 de dezembro no SESC Pinheiros. Mas não façam como eu, que vou deixando, deixando, deixando e quando me dou conta, a exposição terminou. A mostra dos 500 anos do Descobrimento tive que ver no Rio, porque aqui em São Paulo ela só ficou 6 meses!!

Ed Viggiani lança seu olhar sobre o Brasil



No sábado vi a exposição do Ed Viggiani, fotojornalista de primeira, que lança seu olhar em branco e preto sobre o Brasil e seus homens, mulheres e crianças. Sempre fui fã do trabalho dele, desde que moramos no mesmo período em Fortaleza, nos idos anos 80. Ele traballhando no jornal O Povo e eu no Diário do Nordeste. A fotografia do Ed é poesia pura, é sentimento. Num acidente no Rio de Janeiro, enquanto estava a serviço de uma revista, ele perdeu o olho direito. Fotógrafo que perdeu um olho? Ih, danou-se!

Danou-se nada! Não foi esse o caso do Ed. Ele é um entusiasta. E, é claro, tem momentos de raiva, de incorformismo com tudo que rola de errado e de ruim no nosso país, mas a arte dele está lá, denunciando isso.

E o Ed que tem um coração enorme. É solidário com os amigos que se vêem na pior e está sempre disposto a ajudar, por exemplo, cedendo fotos pra leilões.

E como ele é boleiro, e corinthiano, escolhi essa foto, que é uma das que eu mais gosto. Foi tirada em 95, em Ribeirão Preto, num Corinthias x Palmeiras.

Quem quiser ver/conhecer o trabalho do Ed Viggiani, veja a dica aqui:
Exposição “Meu Olho Esquerdo”
De 20/9 a 1/11/2009 (de terça a domingo, das 9 às 21h)
Entrada franca
Local: Caixa Cultural São Paulo - Praça da Sé, 111 - São Paulo (SP) - Galeria Humberto Betetto

quarta-feira, 16 de setembro de 2009

Sobre o que postar e o como postar nos blogs

No começo da semana participei do debate sobre os blogueiros da alimentação, na Livraria Cultura. Ali se falava, entre outras coisas, sobre a responsabilidade sobre o que se publica nos blogs. Esse debate começou porque até o advento dos blogs, a dita crítica gastronômica era feita somente nos jornais e seguia determinados padrões para isso. Mas ela se transferiu rapidamente para a blogsfera. Além de comentários sobre determinados bares, restaurantes, estabelecimentos comerciais da área de alimentação, alguns blogueiros se alçaram a verdadeiros críticos da gastronomia. E se discutia ali os limites daquilo que se publica nos blogs.

Coincidentemente hoje pela manhã li no site do jornal A semana, de Cabo Verde, a nota "Post de brasileira sobre culinária de Cabo Verde provoca onda de indignação", sobre um texto que uma das responsáveis pelo blog "Rainhas do Lar" escreveu sobre uma viagem que ela fez a Cabo Verde em agosto, para dar um curso de culinária no Centro Cultural Brasil – Cabo Verde (CCBCV). No blog, ela teria escrito esta frase infeliz sobre a alimentação dos caboverdianos "o que para mim é descartado como lixo, é degustado com prazer pelos nativos". O texto em si, é um retrato daquilo que ela viu lá, mas essa frase calou fundo nos caboverdianos. Não é preciso dizer que isso quase causou uma crise diplomática. Resultado: foram tantas os protestos que o post desapareceu do blog, e segundo o site A semana, ela teve que se desculpar junto à embaixada brasileira de lá.

Mas como a blogosfera é ágil, e como diz o ditado popular, o estrago já estava feito. Milhares de pessoas já haviam lido e reproduzido o que ela havia escrito.

Bem, fica aqui uma pequena lição: por mais que determinadas coisas não nos agradem, é preciso respeitar a cultura dos lugares por onde a gente anda.


O que A semana publicou