Sexta-feira, 17 de Julho de 2009

Pra quem gosta de jornalismo e literatura

Muita gente tentou ver Gay Talese na Flip e no MASP, mas não conseguiu. Mas ainda dá tempo pra saber o que um dos ícones do jornalismo literário anda pensando sobre as coisas em tempos de Obama. Talese é autor de O reino e o poder (sobre o New York Times), A mulher do próximo, Fama e anonimato, entre outros. A entrevista que ele deu ao Roda Viva vai ao ar na segunda-feira, dia 20, às 22h10.

Outro jornalista que envereda pela literatura é o Lucas Figueiredo, que participa do Sempre um papo no SESC Vila Mariana (Rua Pelotas, 141, de graça) no dia 30/07, quinta-feira, às 20h00. Ele vai falar sobre o último livro Olho por Olho: os Livros Secretos da Ditadura (ele é autor de Ministério do Silêncio e Morcegos Negros, ambos sobre a história recente do Brasil).

Do material de divulgação do “Sempre Um Papo” sobre o último livro do Lucas: De acordo com o autor, a guerra entre os defensores e os opositores da ditadura militar no Brasil (1964 a 1985) foi longa e suja. O que durante duas décadas não se soube é que o confronto derradeiro mobilizou menos de 40 combatentes de cada lado, foi silencioso — quase invisível — e durou 28 anos: de 1979 a 2007. Um conflito que extrapolou, assim, o próprio período da ditadura. A última batalha dessa guerra foi travada por dois livros. “Brasil: nunca mais” — a “bíblia” sobre a tortura praticada pelas Forças Armadas — e o menos conhecido “Orvil”, a resposta do Exército, sobre a guerrilha e o terrorismo de esquerda. Os bastidores dessa batalha, com detalhes de cortar o fôlego, estão reunidos no livro “Olho por Olho: os Livros Secretos da Ditadura”. Na obra, Figueiredo — com três Prêmios Esso de Jornalismo no currículo — revela toda a tensão dos seis anos de trabalho sigiloso do “Brasil: nunca mais”.

Terça-feira, 14 de Julho de 2009

A pintura da discórdia



A reforma da igrejinha de Nossa Senhora de Fátima, em Brasília, continua causando polêmica entre católicos, apreciadores de arte, artistas, moradores etc. Todo mundo acabou se metendo na briga. Nada disso estaria acontecendo se lá pra trás alguém não tivesse raspado a pintura original de Volpi. O pintor contratado não agradou a todos. Muitos acharam festivo demais, outros acharam que está quase igual à pintura de Volpi, outros acham que não deveria ter nada nas paredes.

Tudo que sei é que a igrejinha é linda, os azulejos de Athos Bulcão maravilhosos.

E por falar em Athos, vi este cartaz que a Cãmara dos Deputados fez quando o homenageou pelos 90 anos. Lindo.

O açougue cultural T-Bone


Numa parada de ônibus da avenida W3 Norte (no Plano Piloto de Brasília), vi uma estante com livros para empréstimo. Li as regras e vi que era muito interessante. Comentei com amigos de lá e me disseram que era um açougueiro, o T-Bone (originalmente Luis Amorim) que começou emprestando livros no próprio açougue e depois expandiu para os pontos de ônibus. Se devolvem os livros? Devolvem. E dizem que a taxa de devolução é maior que em bibliotecas normais. Achei demais.

E o que começou com uma pequena biblioteca comunitária, virou espaço cultural, com direito a apresentações literárias, saraus etc. Ótimo exemplo a ser seguido.

Segunda-feira, 6 de Julho de 2009

Programa "O Guia", do Josimar Melo estréia dia 12

Serão 13 programas feitos para o Canal National Geographic em oito países da Europa e da América Latina (só três no Brasil), nos quais o Josimar vai mostrar comidas, temperos, histórias e costumes características dos lugares. Começa em Paris e daí segue. Em cada lugar, o programa tem um roteiro diferente, ligado a algum aspecto do lugar (Espanha, com Dom Quixote, Inglaterra, com James Bond etc.). Diz o site do NatGeo (a foto também é deles), que ele não vai pra cozinha, mas vai mostrar o que se faz em cada lugar.

Por onde ele andou: Paris e Normandia (França); Londres; La Mancha e Salamanca (Espanha); Toscana e Sicília (Itália); Istambul (Turquia);
Bahia, Minas Gerais e Amazonas (Brasil); Lima (Peru); e Buenos Aires (Argentina)

Algumas passagens interessantes (tiradas do site NatGeo): em Paris, Josimar vai ver como funciona, quais são os critérios, quem são os responsáveis pelas resenhas do Guia Michelin, entre outros, encontra com Alain Passard e Alain Ducasse; na Toscana, entrevista Dario Cecchini, considerado o maior açougueiro do mundo, vai atrás da trufa branca nas colônias locais, e visita a Enoteca Pinchiorri, em Florença; na Bahia ,visita Dona Canô, a fábrica de charutos Menendez Amerino, a Feira de São Joaquim, o terreiro de Pai Marivaldo, e o Varal da Dadá.

Os programas vão ao ar sempre aos domingos, às 20hs, por 3 meses. A programação completa e o conteúdo dos programas podem ser conferidos no site da emissora.

Quinta-feira, 2 de Julho de 2009

O encantador Jun Sakamoto

Nem a pé, nem de ônibus, nem de pau-de-arara. Foi num fusquinha que os Sakamoto saíram de Presidente Prudente e vieram para São Paulo, trazendo além dos cinco integrantes da família, o cachorro. Entre os passageiros, estava o garoto Jun Sakamoto. Num bate-papo na Fundação Japão, Jun contou essas passagens e mais algumas muito curiosas sobre sua aprendizagem no mundo dos sushis. 15, 20 anos pra aprender a fazer um bom sushi? No começo ele achava exagero, mas depois de passar por Nova York, Japão e inúmeros restaurantes, acha que é isso mesmo. Só dá pra aprender fazendo, fazendo, fazendo. Bons mestres também são fundamentais. E no caso dele, seu maior mestre foi Takatomo Hachinohe, fundador do Komazushi, um dos restaurantes mais famosos de São Paulo. Hachinohe teria reconhecido em Jun qualidades de um sushiman, e este, aproveitou o que podia. Jun assumiu os sushis do restaurante do mestre após sua morte, a pedido da viúva e da filha dele.

Para Jun, a comida tem que encantar, tem que ter alma. Se não encantar, então não é boa. Ele citou o Mocotó do Rodrigo Oliveira, outro encantador. E os dois até que se parecem, começam tímidos, mas quando o assunto comida toma conta da conversa, se soltam totalmente. Estão em casa.

Se o segredo da comida, está no encantamento, o do sushi está no arroz. Esses dois aprendizados foram os mais importantes da vida de Jun, que aos 43 anos, comanda seu próprio restaurante mantendo práticas que os velhos mestres adotavam para garantir qualidade: escolhe pessoalmente tudo o que utiliza como o peixe, o arroz, o shoyu, o wasabi e o vinagre etc.

Ao ser questionado sobre os utensílios que utiliza, ele falou sobre a importância da faca e de outros itens importantes da cozinha, mas deixou claro que isso não é o essencial. Afinal, "culinária não é razão, é emoção, os utensílios não passam de instrumentos, mas se for possível, utilize o melhor". Ele citou o ex-nadador Carl Lewis: Ele não era o melhor nadador porque usava a melhor sapatilha, mas, com certeza, usava a melhor sapatilha.

O bate-papo fez parte de um ciclo de três palestras sobre gastronomia japonesa, promovido pela Fundação Japão: a primeira, com Josimar Melo, e a segunda, com Arnaldo Lorençato. O ciclo todo foi muito interessante porque fugiu do lugar comum de culturar personalidades. Foi uma troca de experiências entre pessoas que têm em comum a curiosidade e o amor pela gastronomia japonesa, que conseguem enxergar num prato de comida muito além do que uma simples mistura de ingredientes e temperos.

Sexta-feira, 26 de Junho de 2009

E o sushi foi parar na churrascaria!

Na quarta-feira fui assistir à palestra do Arnaldo Lorençato sobre culinária japonesa na Fundação Japão. Só o conhecia de nome, como crítico gastronômico da Vejinha SP. Fiquei surpresa ao ver que ele é muito mais que um apreciador da comida japonesa. Ele é um conhecedor da cultura e da gastronomia japonesa.

No começo da apresentação dele, ele exibiu um pequeno trecho do filme Noite vazia, que o Walter Hugo Cury fez em 1964. O filme mostra Odete Lara e Norma Bengell (no papel de duas prostitutas) com um cliente num restaurante japonês da Liberdade e a cena que dá inicio ao filme, mostra a cara de pouco caso das duas com a comida do lugar, só esperando a hora de sair dali pra comer uma pizza. Foi interessante o Lorençato mostrar esse trecho do filme no contexto da gastronomia, porque eu o tinha assistido nos anos 1970 quando estava na faculdade e só me lembrava dele como um filme interminável, com algumas pessoas presas entre quatro paredes numa conversa também interminável.

Mas voltando à culinária japonesa, o crítico lembrou que nos anos 1960 era totalmente estranho alguém sair de casa pra comer comida japonesa. Peixe cru, então, nem pensar! Ele também disse que era impensável que a cidade de São Paulo um dia viria a ter mais restaurantes japoneses do que churrascarias. E o que dirá das churrascarias colocarem sushi nos buffets! Temakeria? É moda daqui. A mistureba de sabores? Também. Pra quem quiser saber mais sobre sushis, a revista Made in Japan nº 66 publicou uma matéria extensa sobre o tema (a foto é da matéria)

Sei que meus amigos me chamam de japa paraguaia porque não como peixe nem carne crus, mas eu preservo muitos dos ensinamentos de minha mãe, e um deles é: quanto mais perto do original, ou seja, quanto menos frufru, melhor a comida. O sushi e o sashimi eram comidas servidas nos dias especiais, não era do dia-a-dia, afinal, quem tinha tempo pra ficar enrolando arroz nas algas? Mas o que eu ainda mais gosto é do makizushi, aqueles que os brasileiros chamam de "pneuzinhos" e outros de futomaki (foto) - de alga nori (preta) envolvendo o arroz e um recheio de cenoura, nabo seco, gengibre e o kamaboko (pasta de peixe) cozidos. É delicioso.

Os cozidos também sempre fizeram parte da mesa lá de casa. O melhor era um que se cozinhava num caldo de peixe, shoyu e alga e misturava inhame, nabo, cenoura, gobô (bardana), shitake, tiquá (pasta de peixe), tofu, e uma espécie de gelatina (que eu não gosto até hoje) que é o konnyaku (pasta de raiz konnyaku). Mas o cozido era fantástico e era presença obrigatória em qualquer almoço especial ou festa. Sempre faço em casa, com bastante inhame.

Bem, o ciclo sobre culinária japonesa, que começou com o Josimar Melo, termina na próxima quarta, com a palestra da Jun Sakamoto.

O novo homem

Só uma curiosidade. Folheando um catálogo da Avon me deparei com a oferta de uma camiseta modeladora para homens. É a Esbelt camisete skin masculino. A promessa? Comprime e afina o abdômen. O custo? R$ 99,90. Sempre vejo matérias de homens que frequentam o pedicuro, fazem massagem, lifting e outros tratamentos de beleza, mas modelador? Essa é nova.

E por falar em novo homem, assisti à peça escrita pelo Contardo Caligaris - O Homem da Tarja Preta - sobre o novo homem e suas agruras. Agrura mesmo foi ficar até o fim, a peça era cheia de clichês. Só fiquei até o fim em respeito ao ator, o Ricardo Bittencourt, que era muito bom. A gente vai ao teatro ou ao cinema movido por um diretor, por um roteirista, por um ator. E chega lá...

Sexta-feira, 19 de Junho de 2009

Os 65 anos do Chico


Só pra registrar. Hoje é aniversário do Chico.

A foto é um detalhe de um lindo poster que o Douglas Mansur fez há alguns anos.

À procura de um olhar: Fotógrafos franceses e brasileiros


O time de fotógrafos é este: Pierre Verger, Marcel Gautherot, Claude Lévi-Strauss, Jean Manzon, Bruno Barbey, Olívia Gay e Antoine D’Agata, Mauro Restiffe, Tiago Santana (foto acima), e Luiz Braga.

Por aí já dá pra sentir que a exposição À procura de um olhar: Fotógrafos franceses e brasileiros que está na Pinacoteca é sensacional. Diante de algumas imagens dá vontade de chorar. A realidade crua, bonita, feia, cruel, tudo ali, na sua maioria em preto e branco. Tiago Santana é, sem dúvida, um dos melhores do Brasil e foi ótima escolha pra representar nossos profissionais.

A exposição faz parte das comemorações do Ano da França no Brasil e fica na Pinacoteca até 28 de junho de 2009.

Afinal, como morre o peixe?

Na quarta, 17, assisti ao bate-papo com o Josimar Melo na Fundação Japão. Ele foi convidado pra falar sobre as impressões gastronômicas do estrangeiro - ele, no caso - numa viagem ao Japão. Ele esteve no Japão pela primeira vez há mais ou menos 14 anos e falou sobre as diferenças que encontrou em fevereiro passado, quando ficou por lá uns 15 dias participando de um evento gastronômico que reuniu os bam-bam-bam do mundo como Ferran Adriá, Heston Blumenthal e outros, e de ficar comendo nos melhores restaurantes. Algumas coisas interessantes do bate-papo: os ingredientes lá não são tão variados, mas os japoneses fazem questão de consumir o melhor que existe deles, por exemplo, na própria estação de cada alimento.

Ao falar da frescura dos alimentos, ele contou sobre a técnica de se matar o peixe e cortá-lo na mesma hora. A primeira técnica, seria a de um corte incisivo na nuca (peixe tem nuca?), e a segunda, seria a de enfiar uma espécie de arame bem no olho do peixe pra atingir esse ponto lá atrás. Nas duas opções, a morte do bichinho é súbida, porém ele continua se movimentando. Dá a impressão de que ele está sendo cortado vivo. Meio sádico, não é?

Daí ele disse uma coisa curiosa sobre a frescura do peixe (a gente não para pra pensar muito nisso). Quando uma pessoa diz que o peixe que comprou está fresco, só pode afirmar isso se o mesmo estiver vivo ou recém pescado. Segundo Josimar, a compra do peixe pode ser fresca, mas na maioria das vezes, os consumidores compram os bichinhos do feirante, que por sua vez comprou do vendedor do Mercadão, que por sua vez comprou dos vendedores do Ceasa, que por sua compraram dos barcos de pesca que estão no mar por períodos de até 30, 40 dias. Ou seja, quem é o fresco na história?

Terça-feira, 16 de Junho de 2009

Êita frio danado!

Junho pra mim, é como fim de ano. Se não fizer alguma coisa, parece que fiquei devendo. Traduzindo, se em junho não for a alguma festa junina, parece que ficou um buraco. Acho que é por isso que todo dou a maior corda pra fazermos a festa junina no meu trabalho. O lugar é propício, uma casa enorme, com um quintal bem amplo. Este ano, com o frio que anda fazendo, estamos pensando até numa fogueira. O que não pode faltar?

O buraco quente.

Na primeira vez que falei em buraco quente o povo olhou feio, achando que eu tava de gozação, não não era não! Buraco quente é a melhor invenção de todos os tempos. Pra quem ainda não foi apresentado, trata-se de carne moída refogada com cebola e tomate, com bastante tempero - sal, pimenta, coentro, cebola e azeitona. Fica bem molhada. Daí abre-se um buraco num lado do pão francês e dá-lhe carne moída. A carne deve estar quente, e o pãozinho, bem fresquinho.

Quer mais? O resto, a gente nem fala porque tem sempre - quentão, vinho quente, paçoca, pé de moleque, bolo de milho, cuscuz, bingo etc. Eu adoro!

100 Patativinhas em Santo Amaro

Olha só que legal. Falei sobre a exposição e o filme sobre Patativa do Assaré e a Andréa de Sousa, coordenadora de Projetos de Leitura da Biblioteca Belmonte, em Santo Amaro, mandou o convite: dia 24 de junho, às 14hs, na Pça. Floriano Peixoto em Santo Amaro, vai acontecer mais uma edição do "O DIA EM QUE SANTO AMARO VIROU ASSARÉ, O CORTE VIROU NINHO E 100 PATATIVAS CANTARAM NA PRAÇA". Desde maio, o projeto reúne estudantes de escolas públicas do ensino fundamental, que vão à Biblioteca Belmonte-temática em cultura popular,visitam exposição, assistem a documentários e participam de oficina de cordel a partir da vida e obra de Patativa de Assaré. Diz a Andréa: "no dia 24, 100 'patativinhas' trajando figurinos e adereços 'à lá Patativa' saem em 'vôo-cortejo' da Biblioteca até à Praça e em um ninho estilizado cantam, declamam Patativa. Após, uma aula-show com 6 mestres da cultura popular." Quem quiser saber mais, é só ligar para 11-5687.0408 e 5691.0433.

Acho demais essas iniciativas que colocam as crianças em contato com nossos criadores, sejam eles poetas, escritores, músicos etc. E da forma mais lúdica possível. Não é gostoso aprender desse jeito?

Um dias desses assisti a um debate na Fundação Perseu Abramo com o José Castilho, da Unesp e do Programa Nacional do Livro e da Leitura, a Lúcia Rosa, idealizadora do Projeto Dulcinéia Catadora, e o Sérgio Vaz, poeta e fundador da COOPERIFA. É impressionante a quantidade de ações de incentivo à leitura que estão pipocando pelo país afora. Incrível mesmo porque essa é uma das coisas que penso fazer no futuro. Quem sabem montar uma biblioteca numa garagem de uma casa para os passantes, como fez um rapaz no interior de São Paulo.

Nada de substituir as bibliotecas públicas, que agora o governo federal pretende que sejam de acesso público, o que faz muita diferença. De um lugar onde se exige silêncio e parcimônia para folhear livros, passaria a ser um lugar de convivência, onde lidar com livros seja uma atividade prazeirosa tanto para os estudantes como para a comunidade. Esse é um sonho que muita gente que ama os livros acalenta há muito tempo. Parece que está perto de acontecer.

Quarta-feira, 3 de Junho de 2009

E Cuba retoma seu lugar entre os estados americanos

Hoje é mesmo um dia histórico. A aprovação da volta de Cuba à OEA, por aclamação, dá um recado aos americanos de que sua supremacia está mesmo por um fio. Na recente crise que se abateu sobre os Estados Unidos, e até antes disso, já era de conhecimento do mundo que o mapa geopolítico estava se movendo, com a entrada de novos e importantes atores. Por mais esforço que Hilary e Obama tenham feito, o resultado foi inesperado, pelo menos não se esperava uma aprovação dessas. E por consenso. Cuba estava fora da OEA desde 1962, ou seja, desde três anos após a revolução.

Gostei do que disse o embaixador brasileiro na OEA. "Enterramos o cadáver insepulto que era um obstáculo para um sistema interamericano inclusivo e solidário."

Sexta-feira, 29 de Maio de 2009

Programas gastronômicos


Pra quem gosta de culinária/gastronomia, dois programas que parecem ser muito legais: o primeiro, é o debate "Entre estantes e panelas: Cozinha brasileira" na Livraria do Conjunto Nacional (dia 8/6, segunda, às 18:00), com a participação de Alex Atala, Mara Salles, Carlos Alberto Dória e Livia Barbosa.

O segundo programa, na verdade são três. Serão três palestras sobre Gastronomia japonesa, promovidas pela Fundação Japão. A primeira é com o Josimar Melo - “A cozinha do Japão no Japão” (dia 17/6); a segunda é com Arnaldo Lorençato - “História da gastronomia japonesa em São Paulo” (dia 24/6), e a terceira, com Jun Sakamoto - “O virtuose do sushi” (dia 1º/7). Os eventos acontecem sempre às 19h30 na Fundação Japão (Av. Paulista, 37 – 1º a. – São Paulo) e as inscrições podem ser feitas pelo e-mail cgjcultural4@arcstar.com.br ou 11 – 3254.0100.

Sexta-feira, 22 de Maio de 2009

Patativa do Assaré por Tiago Santana e Rosemberg Cariri


Patativa ia completar 100 anos em 2009 se tivesse aguentado mais um pouquinho. Morreu aos 93 anos em 2002, mas hoje ele desembarca em São Paulo na forma de fotografia e filme, mostrado por dois cearenses, o Tiago Santana e o Rosemberg Cariri. Os dois nasceram na mesma região de Patativa, no interior do Ceará. Tiago entra com a exposição de fotos "Patativa Encantado" (foto acima), que abre hoje e fica até 28/6 no SESC Ipiranga (Rua Bom Pastor, 822, de 3ª a domingo, das 9h às 21h30) e Rosemberg com o documentário Patativa do Assaré – Ave Poesia, que estréia hoje nos cinemas.

Os dois artistas se dedicam a explorar a terra e a gente do Nordeste. Tiago, com sua fotografia, que junto com Celso Oliveira e outros fotógrafos, já retratou a vida dos vaqueiros, dos romeiros, dos retirantes da seca, entre outros temas tão comuns no dia-a-dia nordestino (é co-autor, junto com Audálio Dantas do livro O Olhar de Gracialiano). E Rosemberg, cineasta que tem certa fixação por Lampião, fez o filme Corisco e Dadá (único que eu vi) e o mais famoso "A Irmandade da Santa Cruz do Deserto".

Patativa ficou famoso por aqui depois que a Ed. Vozes publicou o livro "Cante lá que eu canto cá". Vejam nesses dois trechos a beleza da poesia do Patativa (o poema completo está no site Jornal de poesia).

As Escritura não diz,
Mas diz o coração meu:
Deus, o maió dos juiz,
No dia que resorveu
A fazê o sabiá
Do mió materiá
Que havia inriba do chão,
O Diabo, munto inxerido,
Lá num cantinho, escondido,
Também fez o gavião.

De todos que se conhece
Aquele é o passo mais ruim
É tanto que, se eu pudesse,
Já tinha lhe dado fim.
Aquele bicho devia
Vivê preso, noite e dia,
No mais escuro xadrez.
Já que tô de mão na massa,
Vou contá a grande arruaça
Que um gavião já me fez.